Resumos ANPOF 2012

Benedito Eliseu Leite Cintra

Deus Ama

A comunicação pretende mostrar e nada demonstrar, a não ser por dialética de opiniões. Diga-se que “Deus ama” é assintótico por “jogos de linguagem”. Todo pensamento, oral ou textual, ao modo analítico ou simbólico, segue regras internas de entretimento. Visar a Deus como “última casa” sempre esteve à mercê de “dados”. “Bem além do Ser” ou “pensamento, do pensamento pensamento” surgiram com cartas marcadas. Tomás de Aquino, em seu cruzado jogo platônico-aristotélico, foi experto sagaz na questão utrum Deus sit, “se ou não, Deus é”. O constante “se ou não” parece suspeita alerta para início do jogo. Descartes – este jogador –, com dúvida “metódica e universal”, previne-se de trapaça maligna no jogo. O jogo de xadrez, por suas peças regradas em todos os movimentos, não abriga logro e ocorre ser maçante. Na arte filosófica, partindo da “vivência”, as palavras provêm de irregular “imaginação criadora”. Levinas foi, e ainda está sendo, mestre de sinfonia inacabada. Aliás, toda composição musical é inacabada: cada intérprete lhe imprime novos conjuntos de frequências de todo tipo. Se não fosse assim, as salas de concerto ficariam sempre vazias e os congressos de Filosofia audição de mesmos discos. Os dicionários de Filosofia atestam seus infindáveis “jogos de linguagem”. Não é difícil deparar-se com certo habituado “linguageiro” filosófico. Isso é perigoso entre as torcidas de futebol. Em Filosofia “x” e “anti-x” às vezes parecem “arrasta-pé”. Não há ser humano que não seja jogador. Afinal estou aqui querendo, em refeito “jogo de linguagem”, ainda apostar: “Deus não existe, Deus ama”!

Marcelo Fabri

Duração e simultaneidade: influxo bergsoniano sobre Levinas

Duração e simultaneidade são duas categorias fundamentais da filosofia de Henri Bergson. A relação tensa que ambas possuem uma com a outra permite compreender muitos desafios típicos da sociedade contemporânea, sobretudo no que se refere aos problemas do tempo, da cultura e da história. A pergunta que guiará a presente exposição é esta: Em que medida Levinas, leitor de Bergson, utiliza essas duas categorias, especialmente no período que precede a publicação de Totalidade e Infinito (1961), para pensar a singularidade humana em sua relação com a vida coletiva e social, bem como enquanto resistência à inteligibilidade anônima da razão e da história? Mostraremos que a duração bergsoniana foi decisiva para que Levinas pudesse apresentar sua própria concepção de tempo. Por outro lado, mostraremos, também, que, em sua leitura nem sempre explícita de Bergson, Levinas interpreta os conceitos de duração e simultaneidade como sendo determinantes para compreender a fundação da civilização, bem como a relação desta com a ética.

Sandro Cozza Sayao

Sensibilidade e infinito: Emmanuel Levinas e o argumento da paz

As questões que Levinas sugere à filosofia, principalmente a partir do argumento da alteridade, da ética como condição primeira, da hospitalidade para além da logicidade ontológica e a consideração da sensibilidade antes dos movimentos e artimanhas da consciência, têm se configurado como férteis para a discussão tanto dos Direitos Humanos como da Cultura de Paz em nossos dias. Nestas há algo de original e desconhecido pelo ocidente, que acostumado às circunvoluções da lógica e da racionalidade, não encontra sentido para a ética além do egoísmo e do interesse de preservação de si – interpretado aqui como conatus essendi. Levinas denuncia a incapacidade da racionalidade conhecida e cultivada entre nós em entender a relação com o Outro, sem viciá-la pelo argumento da mesmidade. Nesse contexto, abre um modo de pensar alternativo, desde o qual outro sentido de humanidade se delineia e configura. Sentido este que desemboca na afirmação de um novo humanismo, neste caso do Humanismo do Outro homem, em que a ética é condição fundamental e a responsabilidade o grande vestígio do humano no mundo. Para compreender tal empreitada, busco aqui exaltar o argumento que fala da sensibilidade, da fenomenologia do encontro com o Outro e da exploração aguda da ideia do infinito, questões que em Levinas lançam a reflexão à perspectiva de uma concretude e vulnerabilidade humana absurda, tal como a pele desde sempre exposta e disponível a receber de fora o que não é ela. O que a meu ver abre para novos elementos de sabedoria capazes de nos instrumentalizar para o trato com as diferentes instâncias do viver individual e coletivo com vistas ao estatuir de uma cultura de paz.

Willamis Aprígio de Araújo

Ética e diálogo: o papel do outro na ética da alteridade em Martin Buber e Emmanuel Levinas

O presente trabalho busca apresentar no campo conceitual a importância do outro para a ética da alteridade nos pensamentos de Martin Buber e Emmanuel Levinas. Tal discussão expõe o papel do outro através da identificação das aproximações e contrapontos acerca do papel e da presença do outro na perspectiva da ética, especificamente, na ética da alteridade. Em Martin Buber o outro é condição de possibilidade para a existência do Eu. O encontro dialógico, o que por si só já é ético, acontece devido à dinâmica da reciprocidade. No encontro Eu-Tu, evento que acontece de forma latente e fugaz entre dois seres que estão no face-a-face, a liberdade configura-se como condição de possibilidade na discussão ética, uma vez que o Tu se oferece gratuitamente e cabe ao Eu, enquanto sujeito de decisão, aceitá-lo irrestritamente na totalidade do seu ser. A aceitação do Tu por meio de uma escolha do Eu torna possível ambos imergirem na relação ética. Já nas concepções conceituais de Emmanuel Levinas, a relação com o outro não é simétrica como nos mostra Buber. Quando digo Tu ao outro não o tenho necessariamente como aquele que me diz Tu. A relação com o outro é essencialmente assimétrica, uma vez que o que importa não é o que ele é em relação a mim, pois ele é antes de tudo aquele por quem eu sou responsável. A responsabilidade em Levinas é o que caracteriza a existência subjetiva do sujeito e o que possibilita um discurso ético, não como encontrado na relação fechada entre dois amantes eu-tu como pensou Buber. Entre nós o terceiro se põe rompendo a igualdade da relação eu-tu. Logo, a relação Eu-Tu reduz a ética a uma perspectiva de reciprocidade. Tal perspectiva é superada colocando a ética no campo do social, à medida que surge o aparecimento do terceiro, o falante inefável, o comunicante inigualável. Assim, a liberdade não é um atributo do Eu para a relação ética, pois esta, seja em sua forma individual ou coletiva, instaura uma ética autônoma, subjetivista, individualista. O outro é possibilidade de libertação da subjetividade que busca nos enclausurar. Ele é abertura ao infinito pessoal, rosto que se apresenta em tom de convocação e nos proíbe de matar.

Silvestre Grzibowski

Substituição em Emmanuel Levinas

A substituição, talvez seja uma das maiores novidades filosóficas de Levinas. Com esse tema ele radicaliza totalmente o seu pensamento sobre a ética. É a definição última da subjetividade. Com a analítica do sujeito responsável culmina a subjetivação ética. Seria como um esboço que conglomera e compendia toda a série. A substituição é a palavra definitiva de Levinas sobre o sujeito ético. Nela, se pode ter ou ver o principado do conjunto de sua obra, notavelmente percebido, conforme ele mesmo promulga na nota do livro “Autrement qu’être ou au-delà d’essence” em que o capítulo sobre a substituição foi o gérmen da obra . Isso evidencia a autoridade desse tema no pensamento levinasiano. Para entendê-la, no primeiro momento persisto na subjetividade do sujeito, em seguida apresento as fontes nas quais se fundamenta para construir esta teoria, na seqüência o significado filosófico da substituição, ou seja, a contraposição a Heidegger.

Paulo Sérgio de Jesus Costa

Sobre a interpretação da noção de intencionalidade e a fenomenologia narrativa do drama moral

O presente artigo pretende investigar o modo como Levinas compreende a noção de intencionalidade apresentada por Husserl. Pretende-se também expor, pontualmente, a crítica de Levinas à noção de intencionalidade. Em seguida, se tentará explicitar o que Levinas entende por “análise intencional”, partindo da hipótese que está em jogo uma passagem de uma fenomenologia transcendental para uma fenomenologia narrativa do drama moral. Esta passagem depende, todavia, de uma re-inscrição da intencionalidade transformada em passividade pré-reflexiva. Porém, pretende-se sustentar que intencionalidade e passividade não intencional não são excludentes, mas estão mutuamente operando na nova fenomenologia narrativa. E que necessariamente se preserva um sentido de imaginação oriundo também da obra de Husserl, que se traduz levinasianamente por: “vestígio”, “enigma” e “proximidade”. Para este último ponto, a obra de Dostoievski será objeto de consideração, na explicitação da fenomenologia do drama moral de Levinas.

André Brayner de Farias

Hospitalidade e confiança na ética levinasiana

É Jacques Derrida quem nos faz lembrar em seu Adieu à Emmanuel Levinas que Totalidade e infinito representa um tratado sobre a hospitalidade. E, embora a palavra não seja freqüente, ela nomeia, nas páginas conclusivas da grande obra de Levinas, aquilo que permanece sendo o verdadeiro mote da ética levinasiana: o acolhimento do rosto (Visage). A hospitalidade é o próprio acolhimento do rosto. E sendo o rosto aquilo que escapa a toda tematização, a própria exceção da compreensão, acolher ou hospedar o outro implica numa trama de decisão que extrapola a fundamentação de uma subjetividade livre e autônoma, racionalmente condicionada. A hospitalidade não está condicionada pela autonomia da razão, mas pela estrutura da confiança, que significa exatamente fazer antes e compreender depois. Traição da tradição? Sim, pois a condição da confiança não garante o retorno do idêntico a si mesmo, por isso a verdadeira hospitalidade é incondicional; não, pois a razão não foi simplesmente suspensa, mas deslocada de seu centro de gravidade, provocada de seu hábito e levada a compreender o que ela não estava em condições de prever.

Evaldo Antonio Kuiava

Sobre o bem e o mal em Levinas

Em torno da problemática do mal, a partir de uma perspectiva levinasiana, o que está em jogo não são as condições de possibilidade do conhecimento e da moralidade e, muito menos, trata-se da diferença ontológica. A diferença entre o bem e o mal precede a distinção entre ser e ente. Há uma anterioridade que precede ambos os casos e é a origem do sentido do humano, da moralidade e da própria transcendência ética. Nesse sentido, a questão do bem e do mal não se reduz a uma questão ontológica. Na visão de Levinas há um sentido primordial em relação ao que diz respeito à própria alternativa entre o bem e o mal. Há algo mais sublime que o ser e a ontologia. Em Totalidade e Infinito, a ontologia é definida por ele como filosofia do poder: “a ontologia, como filosofia primeira que não põe em questão o Mesmo, é uma filosofia da injustiça”. O sentido do humano não tem origem no ser, mas o antecede. Levinas propõe uma desneutralização do ser. Por isso, primordial não é mais o impessoal, o anônimo, o neutro desenrolar do ser indiferente a tudo que ele engloba no seu exercício ontológico, a sua intervenção na vida em todas suas dimensões, em busca de satisfação de seus interesses, pois, nesse caso, o mal seria o excesso em sua própria essência. Em seu artigo Transcendance et mal, escrito na ocasião da publicação do livro Job et l’excès du mal de Philippe Nemo, Levinas faz uma análise do mal como excesso, como intenção e como horror. O mal é um excesso na sua malignidade de mal. O excesso não é a intensidade excessiva de uma sensação, ou qualquer excesso quantitativo, superando a medida da sensibilidade do indivíduo e dos seus meios de o apreender. Embora a noção de excesso possa sugerir de imediato a ideia quantitativa de intensidade, de um grau que ultrapassa a medida ou o sofrimento para além do suportável, o mal é excesso em sua própria essência, “em sua própria qüididade”. Com essa afirmação ele quer afastar a possibilidade da teodicéia. Na sua visão não há como conciliar a bondade e onipotência divinas com a existência do mal no mundo tal como concebeu Leibniz.

Magali Mendes de Menezes

A experiência poética como exercício ético

Este ensaio anseia fazer da escrita um exercício de sentido. Afinal, por que escrevemos, participamos de congressos, encontros de Filosofia? Mais do engordar nossos Lattes, de aumentar nossos qualis, de compreender a engrenagem de produção em série que muitas vezes esvazia nossos escritos, quero pensar a implicação da escrita, do ato mesmo de escrever sobre a ética. Depois de pensarmos com Socrates a morte da escrita e sua relação com o pensar filosófico, reflito sobre a possibilidade mesma de continuar a dar sentido a escrita, ou seja, em pensar por que a Filosofia necessita da escrita. Por que escrevemos? É no dialogo entre Lévinas e Blanchot que busco inspiração para pensar uma dimensão poÉtica presente na escrita. A linguagem poÉtica faz do pensamento e da escrita pulsação, movimento constante de des-poder. É nesta experiencia estetica que o Outro aparece sem ser possuido pelo olhar. A “noite” de Blanchot, imagem que representa um outro espaço (talvez não-lugar), onde a arte é abertura ao indizivel, desafia o “dia” em forma de mundo, poder, ação. Mas é preciso dizer, como comenta Lévinas, no entanto não qualquer dito. A póÉtica faz da palavra um dito subversivo, abrindo um espaço no texto para que o Outro apareça. Há na poesia uma exigencia ética que não se reduz em pensarmos uma arte engajada, mas em fazer da expressão, da palavra mais que uma fala uma escuta. Este é o des-poder da palavra! Na poesia a palavra escuta, dimensão esta fundamental para que toda escrita possa carregar em si o desejo. O poÉtico nos toca – exercicio de um corpo que sente, vibra, carregando em si o Outro- porque antes de nos tocar o poÉtico é já tocado pelo Outro. A escrita poÉtica torna-se assim uma palavra grávida, carregada de vida, do contrário mais do a morte da escrita estariamos (ou talvez já estamos) diante de uma escrita que se faz na decomposição da propria vida.

Lilian Neves Mise

A consciência não-intencional em Emmanuel Levinas

Levinas encontra no método fenomenológico, mais especificamente na noção de intencionalidade desenvolvida por Husserl, a solução do dualismo “objetivista/subjetivista” na relação de conhecimento entre sujeito-objeto. Por outro lado, indica que este método se inscreve em uma ontologia, e constata: “Curioso resultado: a linguagem consistiria em suprimir o Outro, pondo-o em acordo com o Mesmo!”. O que desperta nosso filósofo para este resultado é, em especial, a condição histórica que enfrentou enquanto pensador judeu, os “acontecimentos que se desenrolaram de 1933 a 1945 (Hitler) que o saber não soube evitar e nem compreender”. O problema que se apresenta para o pensador é o da dissolução da diversidade. A questão é ampliada, não se trata apenas de propor uma solução desfaça a cisão entre o sujeito e o mundo exterior, mas percebe a necessidade de desenvolver uma reflexão que pense a violência, permita a relação com a alteridade e legitime a pluralidade. Desta forma, embora a reflexão levinasiana parta da mesma inquietação e método da fenomenologia husserliana, explora outro caminho para a resolução para o dualismo, do qual um dos pontos é o desenvolvimento do conceito de “não-intencionalidade”, o qual é divergente da intencionalidade husserliana essencialmente ativa. Nossa exposição procura explorar o que seria esta “não-intencionalidade”, uma espécie de inversão do conceito de intencionalidade de Husserl, e como ela se constitui através linguagem, pois a linguagem é, segundo Levinas, o que percorre a distância entre Eu e Outrem, sem suprimir a diferença, mantendo cada termo único.

Diogo Villas Boas Aguiar

Liberdade e heteronomia. Uma investigação sobre as condições de possibilidade de um conceito levinasiano

No pensamento levinasiano, a destituição da liberdade enquanto origem da moral cede lugar para outro fundamento: a alteridade. A autonomia é substituída pela heteronomia e, portanto, a moral terá sua causa e seu sentido na alteridade que é outrem. Com efeito, é preciso ir aquém da liberdade para descobrir uma alteridade que a investiria e legitimaria. É daí que surge o conceito de uma liberdade investida: o homem só é verdadeiramente livre quando sua liberdade está subordinada a uma exterioridade. A formulação desse conceito não seria, no entanto, paradoxal? Como, pois, seria possível preservar a minha liberdade se nesse contexto de pensamento ela já não é o princípio das minhas ações? Se a liberdade advém da heteronomia, não seria uma situação de servidão? Ora, não é aporético pensar conjuntamente liberdade e heteronomia? Aparentemente, falar em uma liberdade que é investida é uma contradictio in adjecto, ou seja, a investidura é exatamente a negação da liberdade. Nossa investigação a seguir se propõe a dissolver esse problema. Para tanto, buscamos fazer uma conjugação de dois conceitos-chave: ideia de infinito e subjetividade. Desde a articulação desse par conceitual esperamos exceder a identificação entre heteronomia e servidão.

Felipe César Marques Tupinambá

A Ideia de Criação ex nihilo e a Metafísica da Separação em Lévinas

Para Lévinas, uma relação ética é a relação em que eu encaro a outra pessoa e guardo a minha distância, porque distância implica respeito. Ao contrário, a metafísica da participação nega a transcendência e a alteridade, subsumindo o outro em uma totalidade teórica, ao passo que a ideia de criação preserva o outro, tornando assim a relação ética possível. Nosso trabalho procurará, em primeiro lugar, abordar a crítica levianasiana à filosofia da totalidade que tem como premissa justificadora a metafísica da participação, para depois apresentar a proposta levinasiana de uma outra metafísica, a metafísica da separação sustentada pela ideia bíblica da criação. Para tanto, contamos principalmente com a análise de sua obra de consagração filosófica: Totalidade e Infinito. Lévinas percebe que o pensamento ocidental, a partir da filosofia grega, desenvolveu-se como discurso de dominação. O Ser dominou a Antiguidade e Idade Média, sendo depois substituído pelo “eu”, desde a época moderna até nossos dias. A obra de Lévinas transmite o alerta da necessária emergência da ética, ou seja, de se repensar os caminhos da filosofia por um novo prisma, não o prisma do Ser, mas do esforço em descrever a relação com a outra pessoa que não pode ser reduzida à compreensão, assim o problema que condiciona à filosofia primeira é a relação ética com o outro ser humano e não a obscura questão do Ser. A preocupação de Lévinas é de que: se nossas interações sociais não forem sustentadas pela ética o pior pode acontecer, ou seja, o fracasso em se reconhecer a humanidade do outro homem. Lévinas buscará inspiração na sabedoria bíblico-judaica para argumentar sua tese. A partir de uma consideração do ser humano como ser criado, Lévinas propõe um resgate do sentido do humano. Aqui pretendemos analisar a ideia bíblica da criação como premissa estruturante de sua ética. Achamos que Lévinas encontra na ideia bíblica da criação uma estrutura formal que o permite fundamentar uma metafísica alternativa à metafísica da participação postulada pela tradição filosófica do Ocidente. O fracasso do reconhecimento da separação da outra pessoa de mim, uma vez que cada ser criado é um ser único, pode ser e vem sendo fonte de tragédia. Não podemos conhecer tudo sobre a outra pessoa, há algo na outra pessoa – a dimensão da separação, da interioridade que escapa à minha compreensão. É para que se aprenda a reconhecer o que não se pode saber e que se respeite a separação (transcendência) da outra pessoa que ela não se dá totalmente apreensão, ao saber. Se o outro se perde na multidão, então sua transcendência se esvai.

Honatan Fajardo

Po-éticas entre Levinas e Celan: A errancia do poema

A partir de la lectura que ofrece Emmanuel Levinas en su ensayo Del ser al otro, dedicado a la obra poética de Paul Celan, como apretón de manos que se dona en Noms Propres (1976) a aquel testigo sin testigo, el último en hablar (título de un ensayo que Maurice Blanchot dedica al poeta); se observa algunas apreciaciones en torno al movimiento del uno para el otro: errancia del poema, ángulo de inclinación desde el que la poesía en lugar de imponerse, de ceder al acabamiento de la obra, a una representación sellada en sí misma, al horizonte de una conciencia dominante, al auto-posicionamiento soberbio de lo bello; se expone a la interpelación ineludible de la alteridad, afirma una infinita responsabilidad para con el otro (tout autre), el tiempo del otro: excedencia intempestiva que diacroniza las lenguas, respiración ética o cambio de aliento entendido como el decir del poema, hospitalidad po-ética irreductible y más antigua que lo dicho por la gran alegoría del ser.

Leonardo Meirelles Ribeiro

A ambiguidade do rosto em Emmanuel Lévinas

Esta comunicação tem como objetivo discutir a “ambigüidade do fenômeno e sua defecção” que tem sua significação no rosto, segundo E. Lévinas, em Autrement qu’être. Abordaremos esse evento sob a ótica do Dizer e do Dito que irrompem como resposta no “me voici”. O discurso uma vez proferido trai, mas traduz, sem anular sua anarquia. Procuraremos aprofundar essa relação ambígua do aparecer sem aparecer, como rastro do que já se foi, e que Levinas chama transcendência, e analisar seu paradoxo.

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